Entrevista: Marmota vs Milky – Ilustração & Interfaces

Ilustração & Interfaces é um tema já foi abordado aqui no Café Interativo, quando entrevistei o ilustrador inglês de quem sou fã, Jhon Burgerman . Por se tratar de um tema que eu gosto muito e que inclusive queria que ele fosse mais discutido, este ano abordá-lo novamente, mas com uma visão mais ‘Brazuca’. Para isso conversei com essa dupla de ilustradores: Marmota vs Milky, que possuem um trabalho cheio de personalidade e cores. Este dupla, que também são um casal, é formada pelos ilustradores Carlos (Marmota) e a Fabiana (Milky) ambos de São Paulo, são artistas que adoram contar histórias visuais para pessoas que apreciam um mundo mais colorido, bem humorado e divertido.

“Nascemos em São Paulo e por isso somos frutos de um caldeirão cultural e referências sem fronteiras que é essa cidade.” – Marmota vs Milky.

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CaféInterativo: Primeiramente pessoal, é um grande prazer ter vocês aqui no Café interativo, continuem com o ótimo trabalho que tem feito.

MarmotaVsMilky: Muito obrigado Gabriel! Nós ficamos muito felizes com o convite para participar do Café interativo.

1º – Vamos começar? Na opinião de vocês, qual o poder que uma ilustração pode exercer sobre uma interface?

MarmotaVsMilky: Comecemos então! Bom, acreditamos que a ilustração pode exercer uma grande importância na construção de uma interface. Do wireframe à finalização ela estará presente. Mesmo que seja como parte do processo. Contudo, se o objetivo é integra-la a interface, ambas ganharão poder. Pois esse artifício ajudará a deixar o ambiente interativo mais amigável. As vezes as funcionalidades são muito complexas e têm que ser compreendidas por uma variedade muito grande de usuários. Para que não haja erros de compreensão, por exemplo, podemos substituir grande parte do texto por ícones, desenhos ou infográficos. Se formos olhar por esse ângulo o grande poder da ilustração é universalizar a linguagem e democratizar o entendimento do conteúdo.

2º – Como vocês enxergam a relação entre arquitetura da informação e um design atrativo? Vocês acham que existe um equilíbrio nessa junção?

MarmotaVsMilky: Consideramos que um bom projeto, principalmente falando de interfaces, tem que apresentar ao usuário/público uma harmonia entre os elementos que a compõem. Inclusive, /achamos que uma depende muito da outra. Uma interface é o reflexo visual das informações que formam o conteúdo. Já o conteúdo, para que seja bem assimilado, tem que ser organizado de uma forma amigável, funcional e encantadora quando possível. Então, se qualquer lado estiver mal resolvido o projeto não apresenta um equilíbrio. Vale salientar que um design atrativo só é considerado assim porque une uma estética bela com um conteúdo bem organizado e consistente.

3º-  Vocês acham que o avanço da tecnologia e um aumento significativo de tablets no mercado pode possibilitar um aumento nas produções que ofereçam aos usuários interfaces mais ilustradas, mais artísticas? Como vocês vêem essa evolução? E quais mudanças na forma de interagir vocês enxergam?

MarmotaVsMilky: Na nossa opinião sim, o avanço da tecnologia nos possibilita interagir com interfaces mais ilustradas e artísticas. Porém, graficamente e realisticamente falando. Se formos olhar uns 30 anos atrás, os computadores já proviam de uma interface rudimentar, mas que era o estado da arte da época porque era o que a tecnologia nos permitia fazer.

Mesmo assim já eram revolucionários nessa questão. A massificação desses computadores nos trouxe outros tipos de máquinas como os videos games. Se pegarmos como exemplo o saudoso Atari, percebemos que seus jogos já se comunicavam com o público de uma forma diferente do que estávamos acostumados até então. Os jogos traziam grandes pixels que se moviam de acordo com a vontade do jogador e representavam coisas como um avião, um carro ou um boxeador. Desde então o que percebemos é um avanço grandioso no que se diz respeito a possibilidade de fazer uma interface que imite quase que perfeitamente algo real. Podemos dizer ainda que com a popularização das tablets e dispositivos móveis mudou também o jeito de se interagir com esses aparelhos. Hoje é muito normal usar a agenda da sua tablet ou celular que tenha a aparência muito parecida com uma agenda real. Talvez a única diferença é que não se pode usar uma caneta de tinta para escrever nela. Mas para isso temos uma própria para telas. As metáforas visuais já não são tão metáforas assim.

Não podemos prever o futuro, mas acreditamos que a tecnologia está cada vez mais nos levando para algo como o filme Matrix ou o livro Jogador nº 1 do Ernest Cline. Hoje conseguimos criar simuladores de vôos espaciais, superfícies diversificadas, situações climáticas, e outros ambientes mais, que imitam perfeitamente as condições que encontraríamos na vida real. Leigamente falando, já conseguimos proporcionar experiências reais em mundos virtuais sem ter que contar com abstrações ou a própria imaginação. Acreditamos que em um futuro não muito distante conseguiremos coexistir em mundos diferentes.

4º – Quais cuidados em utilizar ilustração em interfaces vocês recomendariam?

MarmotaVsMilky: Toda ilustração tem que harmonizar e dar equilíbrio aos elementos que fazem parte de um meio onde existe interações. Pois consideramos que a interface tem um papel mais funcional do que estético. Ela é o meio que facilita a relação do usuário com o programa, site, aplicativo, etc… Por isso, a ilustração serve para enfatizar a função de alguns componentes ou então construir metáforas visuais que trazem melhor entendimento a informação que se quer comunicar. Usar ilustrações condizentes ao repertório visual do público final é mais do que importante, é essencial! O usuário é sempre a principal inspiração da ilustração. Desenhar algo muito realista e complexo para um público infantil não é recomendável pois não conseguiríamos criar empatia com ele.

5º – O que acham de sites como por exemplo, do jogo Diablo 3, que aplica as informações do site sobre uma ilustração? Acham que exploram pouco as possibilidades de aliar ilustração e interface?

MarmovaVsMilky: Sites como esse usam a ilustração para ambientar a interface e enriquecer o universo criado no jogo. Nesse caso, temos que salientar o que já citamos antes: o usuário foi o principal fator para inserir ilustrações nessa mídia. O público não só conhece o visual como também se identifica com ele. Ele espera encontrar a mesma sensação produzida pelo jogo em todas as ramificações de Diablo 3. As pessoas já passaram por uma curva de aprendizado para saber que um determinado ícone representa tal função ou pelo menos segue a mesma linha gráfica de algum outro que já conhece. Por isso, consideramos mais do que válida essa aplicação. Agora tecnicamente falando, e nesse caso especificamente, achamos que o site explora bem as possibilidades dadas a ele. Os desenhos ficam mimetizados ao meio e não são o ponto principal da interface. Eles ajudam na comunicação visual e não competem com as informações de conteúdo. Claro que se formos abranger o tema ilustração aliada a interface podemos chegar a outros resultados talvez mais interessantes. Mas neste exemplo a experiência do usuário gira em torno de uma navegação linear e objetiva. Por isso não achamos ruim não.

6º – Para finalizar, poderiam passar alguns exemplos bons exemplos de interfaces que usufruem de ilustração e que vocês considerariam uma referência?

MarmotaVsMilky:  Poxa, essa é difícil! Mas vamos lá. O site de apresentação do tênis Nike AJ2012 (http://www.nike.com/jumpman23/aj2012/) é um ótimo exemplo de boa interface. Graficamente falando ele já é bonito. Mas a medida que se vai navegando podemos perceber que a Nike teve um carinho enorme para promover o produto. Enquanto passeamos na tela o tênis vai junto com a gente em uma espécie de infográfico animado interativo. Com textos objetivos e ilustrações pertinentes ao conteúdo entendemos qual é o conceito geral que se quer passar.

Outro exemplo é o site da história em quadrinhos Soul Reaper (http://www.soul-reaper.com/). Assim que é carregado a navegação automática toma conta mostrando os quadros como se fossem um storyboard animado. As ilustrações bem detalhadas e uma história bem narrada compõem a ambientação. É interessante enfatizar que se o usuário quiser existe a opção de tirar a música e deixar de lado a rolagem automática para ficar brincando de animar os quadros.

Agora falando de aplicativos, queremos citar um de funcionalidade simples e objetiva. O Weather Wise (http://weatherwiseapp.com/) é um app que tem como a principal função mostrar a previsão do tempo. Porém, para tornar a experiência de uso mais agradável ele apresenta algumas ilustrações como fundo do aplicativo. O interessante é que a medida que você move o seu celular as ilustrações se movem também com um efeito de parallax. Esse efeito faz uso de diversas camadas para montar o desenho e para que se tenha um efeito de profundidade.

Como último exemplo poderíamos citar qualquer livro interativo para tablets móveis. Porém, vamos falar apenas do Dandalion (http://www.protein-one.com/dandelion/). Ele mostra a história de um garoto e sua jornada contra alguns colegas que praticam bullying na escola. O tema é muito batido, mas a ilustração soturna e as interações poéticas deixam o experiência de leitura bem bacana.

Bom, esperamos que tenha gostado das respostas assim como nós adoramos responde-las.

Obrigado pela oportunidade Gabriel.

Abraços do Marmota VS Milky

Quer conhecer melhor essa dupla? 

Site Oficial: http://www.marmotavsmilky.com/

 
 
 
 

Entrevista Estúdio BogeyBox: Livros Interativos

Pessoal, preparem suas xícaras e canecas de Café, porque esta entrevista merece! Antes de começarmos vou apresentar para quem não conhece ainda o BogeyBox. Trata-se de um estúdio com sede em Vitória-ES de mídia pós-convergente que desenvolve conteúdos imersivos, expansíveis e compartilháveis. O estúdio produz conteúdo autoral e também realiza projetos comerciais.

Café Interativo: Pessoal, é um prazer poder fazer essa entrevista com vocês, tenho acompanhado a proposta do estúdio BogeyBox, que desenvolvem livros interativos para tablets bem de perto e principalmente aqui no estado é uma iniciativa muito válida e que pode dar uma cara nova para esse nicho do mercado.

bernardo@BogeyBox: Gabriel, é um prazer participar do Café Interativo, muito obrigado pelo convite.

Café Interativo: Eu queria saber o que vocês acham dos livros interativos para tablet que já estão no mercado? São realmente interativos? Podem citar alguns exemplos?

bernardo@BogeyBox:  Em nossa constante jornada de aprendizado, já nos deparamos com livros bons e ruins. Dentre esses, me vem na mente 3 livros em destaque, que posso falar a respeito. “Alice”, “Our Choice” e “Bartleby’s Book of Buttons”. Apesar de muito aclamado, o “Alice”, não tem grande coisa por trás. Elementos podem ser jogados de um lado pro outro, se mexem e tem física agindo em alguns objetos. É um pioneiro do ebook interativo e, por isso, deve ser respeitado. Vários que vieram em seguida foram meras cópias deste, de forma que os conceitos de interação usados no Alice já estão bastante “gastos”. “Our Choice” é uma obra prima de design e programação, a interatividade aqui é funcional: a navegação permitida nas páginas revela informação adicional ou transforma a informação contida em infográficos interativos. É um dos primeiros livros a explorar o conceito do “sopro” no microfone, para fazer funcionar um cata-vento, uma estratégia muito esperta e divertida. Bartleby’s Book of Buttons se diferencia dos demais, pois é um livro pra crianças e foi concebido desde o início para ser digital enquanto os outros dois que citei são adaptações de livros de papel. Em cada página, a interatividade transforma a página e permite uma exploração realmente diferenciada do conteúdo. É um livro infantil, então a transformação é lúdica e sensível, mas ela realmente faz o leitor participar do desenrolar da história, por mais que não tenha possibilidade de mudar a direção. Para os interessados em mais referências, posso citar: Magic of Reality, Morris Lessmore e Gear Patrol.

Café Interativo: Vocês lançaram um beta de um livro interativo, “Fadas – O Despertar do Caos”, na visão de vocês como ele se diferencia dos demais? E quais os planos futuros para ele?

bernardo@BogeyBox: “Fadas – O Despertar do Caos” é um livro de produção indie, brasileira, em português, o que já destaca ele de muitos outros. Mas ele vai muito além, ele foi um laboratório, onde pudemos experimentar e explorar diversas estéticas narrativas. Enquanto os ebooks tradicionalmente optam por uma forma narrativa e se atém a ela, nós buscamos uma forma diferente de contar a história a cada página e também exploramos a narrativa fora das páginas. Livros de papel são lineares e finitos, acredito que livros digitais devem aproveitar a mídia em que se inserem e possibilitar uma navegação hiper-linkada e expansível.
A equipe que trabalhou no projeto é a peça chave que diferencia o projeto Fadas dos demais. Uma equipe multidisciplinar, polivalente, de backgrounds e personalidades distintas. Vejo muitas start-ups de tecnologia surgindo de grupos de programadores, perseguindo uma idéia que acreditam ser uma inovação computacional: pensaram num algoritmo, numa solução, numa nova forma de resolver um problema antigo. A BogeyBox nasceu da vontade de se expressar, vinda de pessoas de diversas áreas diferentes: artistas, ilustradores, músicos, designers, engenheiros de som, historiadores, arquitetos, analistas de sistema e programadores. Começamos uma idéia juntos de como poderíamos contar histórias multimídia, interativas e inovadoras na mídia que havia acabado de surgir: o iPad. Do grupo inicial, se mantiveram quatro: eu, avindo da Ciência da Computação, ontologista: um profissional de análise que trabalha mais com filosofia e lingüística do que com programação; Cassiano e João vindos da Comunicação Social, Cassiano seguindo o caminho da arte digital e concept art, o criador original da saga “Fadas”, João seguindo o caminho do design, aficionado por design de interação e criação; e Luiz, vindo de Sistemas de Informação, programador-chefe e líder de projeto.

No livro “Fadas”, buscamos mesclar uma série de elementos e experiências estéticas para oferecer uma experiência imersiva num mundo de fantasia, explorando a narrativa em quatro contextos: a leitura, o mapa, o compendium e as transmissões. Na leitura, são contados episódios da história, explorando a linearidade do texto tradicional, mesclando a imagens animadas e reativas, uma incrível trilha, efeitos sonoros e vídeos cinematográficos. No mapa, a narrativa se torna geográfica, espacial, localizada e indexada, é possível entender o contexto onde os episódios acontecem e como se relacionam com o mundo. O compendium explora a descrição pontual e enciclopédica: artigos com foco em determinada cidade, personagem ou raça expandem o conteúdo sensível do universo, permitindo um acesso minucioso aos conceitos apresentados. Por último, no contexto Transmissões, a perspectiva social da história é explorada, os leitores podem se conectar pelo Facebook e comentar, supor, falar com os autores, criticar e receber novas informações.

A narrativa é expansível, pois novos capítulos e histórias paralelas podem ser acrescentados. Apostando no modelo de negócio freemium, o prólogo do livro-app é oferecido de forma gratuita, novos capítulos e conteúdo adicional serão oferecidos para venda na forma de in-app purchases a preços baixos. Esse modelo é eficaz atualmente e permite que o usuário entenda o que é oferecido e se interesse pelo universo, facilitando o investimento financeiro nessa forma de entretenimento. Nós planejamos continuar publicando conteúdo nesse app já lançado, que é o prólogo de nossa trilogia.

Acredito que para os próximos capítulos, possa haver uma revolução de interface e, por isso, um novo app a parte. Aprendemos muito desde nosso design inicial e temos novas idéias para explorar a narrativa na mídia móvel. Contudo, é um passo de cada vez, atualmente estamos buscando editais de cultura pra fomentar seu desenvolvimento e também a continuidade do prólogo.

Café Interativo: Como vocês acham que os livros voltados para estas plataformas vão se desenvolver, quais tipos de funcionalidades podemos esperar?

bernardo@BogeyBox: Estamos em uma fase linda do surgimento de uma nova mídia. As convenções ainda não estão bem estabelecidas e há um grande espaço para experimentação e descoberta. Porém, o que tenho visto é uma onda enorme de imitações do Alice e adaptações de livros lineares de papel para um ambiente digital. Felizmente, já começaram a surgir livros que foram concebidos para serem digitais: que usam as capacidades únicas da mídia como elemento base para contar histórias. Um livro digital pode ser procedural (reagir, realizar procedimentos decorrentes de interações ou não), espacial (explorando o posicionamento do leitor em espaços virtuais ou físicos e a navegação nestes espaços), enciclopédico (capaz de conter e prover uma grande quantidade de informação detalhada, indexada e fora do caminho comum da leitura, servindo para consulta ou exploração adicional) e participatório (quando o usuário participa da narrativa, agindo, compartilhando, comentando e indicando). Janet Murray, autora de “Hamlet no Holodeck” (“Hamlet on the Holodeck” na versão original em inglês) discute em detalhe esse assunto e como o seu uso pode ser direcionado para criar estéticas que são apreciadas na narrativa digital: a Imersão, Transformação e Agência (do verbo agir). Para os que procuram uma literatura menos filosófica e mais prática, recomendo o livro que ela lançou recentemente, chamado “Inventing the Medium” (disponível só em inglês).

Café Interativo: Num mercado tão disputado que é o mercado de OS, como vocês enxergam o desenvolvimento de produtos interativos para iOS, Android e porque não o Windows 8?

bernardo@BogeyBox: O desenvolvimento de iOS e Android já está melhor estabelecido em relação ao Windows 8 e por isso, dispõe de mais frameworks e SDKs para desenvolvimento, assim como uma comunidade mais ativa. A comunidade de desenvolvimento é crucial para o sucesso, bugs nas plataformas são inevitáveis e é preciso um grande corpo de pessoas testando de diversas formas e compartilhando os resultados para conseguir contorná-los e, quiçá, ajudar a corrigi-los. O Windows 8 inevitavelmente vai ganhar espaço, principalmente pela difusão do Windows nos desktops e laptops e a suposta integração entre as plataformas móvel e desktop vai impulsioná-los: o usuário que acabou de “aprender Windows” para usar seu computador e não consegue se adaptar à presente tecnologia móvel, deve preferir continuar usando Windows no celular.
O desenvolvimento iOS é bastante dificultado pelas leis confusas e vagas da Apple. No fim, há sempre um sentimento de apreensão na hora de lançar com a possibilidade de retrabalho e atraso na entrega. O processo de avaliação leva em torno de duas semanas, podendo haver a reprovação, seguida de sugestões para que o aplicativo seja aprovado. A partir daí é necessário trabalhar mais no aplicativo e tentar de novo. Isso dificulta o desenvolvimento para alguns nichos que tem muita pressa, como a Publicidade e Propaganda.

Por outro lado, o mercado iOS é mais lucrativo. O market do Android é inundado de aplicativos gratuitos e usuários indispostos a pagar. O número de usuários Android é bastante inflado por massas de usuários de celular que não usam as capacidades do smartphone, que o usam como um celular tradicional, ou seja, não se enquadram como mercado para desenvolvedores de aplicativos pagos e raramente freqüentam a loja de aplicativos.

Café Interativo: Eu enxergo esse tipo de produto (livros interativos) cada vez mais interessante e mais capaz de ser utilizado como produto vinculado a divulgação de marcas, por exemplo, quem não gostaria de uma ver HQ promocional dos Vingadores interativa para tablets? O que vocês acham disso?

bernardo@BogeyBox: A divulgação de marcas nesse tipo de produto é com certeza um ponto muito forte pras empresas que tem o capital para investir. Porém, com as regras da Apple a respeito de Marketing, é preciso que o produto seja uma verdadeira obra de arte para que seja distribuído por eles, ou será rejeitado como panfleto publicitário. Para passar na loja, é preciso oferecer um valor de entretenimento que seja duradouro, que não seja efêmero. Claro, para fazer aplicativos-obra-de-arte, é necessário um investimento alto. Como exemplo, posso citar os aplicativos da Bentley, Swatch e Lexus (Gear Patrol).

Café Interativo: Quando falo de interatividade, me refiro a uma verdadeira imersão do usuário com o conteúdo, que gere uma boa Experiência para o usuário e que suas ações gerem uma resposta dinâmica, não apenas gatilhos de animação na tela. Como vocês enxergam a interação neste tipo de produto?


bernardo@BogeyBox: Devido ao uso vago e amplo do termo interatividade, acho que ele já perdeu muito o sentido. Interatividade tem valor quando há agência: quando o usuário pode escolher a ação que vai tomar e quando essa ação tem um efeito relacionado a uma intenção dele de realizar algo. Agência vai além de participação e atividade, é um prazer estético e deve ser mais o controle de quando se deve mudar de cena, de página. Essa característica é rara na arte e nas narrativas digitais, mas é muito comum em estruturas que chamamos de jogos. Os jogos são uma estrutura fenomenal para narrativas digitais, pois permitem um alto grau de agência. Porém, normalmente o foco está na atividade, no “esporte” por assim dizer e não na narrativa. Um ótimo exemplo do “caminho do meio” de foco entre história e atividade lúdica é o recente jogo para Facebook “Marvel: Avengers Alliance”, onde há um grande volume de história para os interessados na narrativa que pode ser resumida (skip intro), para os que só querem jogar. Posso também citar exemplos de narrativas participativas onde a história e o gameplay são um só: a série Ultima e a série Elder Scrolls, RPGs digitais.

Café Interativo: Interatividade + Social, como vocês vêem isso?

bernardo@BogeyBox: O Social é a ferramenta da nossa década e é preciso usá-la com habilidade em quase todo projeto atual. É um assunto vasto, então vou me ater a discutir no âmbito da narrativa digital. A interação do leitor com a história, através das redes sociais, pode ser muito bem aproveitada para incrementar as estéticas de Transformação e Agência de uma narrativa digital. Nunca antes na história da humanidade houve a possibilidade de ser erguer projetos colaborativos como a Wikipédia, é uma época em que a opinião individual e a produção coletiva ganha valor em oposição à tradicional “autoridade” sobre a informação que uma única pessoa ganhava ao se tornar referência em um determinado assunto. Estamos em uma época de internet memes, de blogs, de produção diversa e ampla e isso pode e deve ser usado nas narrativas digitais. Acredito que a participação dos usuários no curso da história com comentários, fan art, histórias paralelas e outros recursos podem contribuir para dar forma a histórias colaborativas. Algo próximo aquela brincadeira “segue a história” que a maioria de nós já brincou em uma longa viagem. Um começa a história, o outro adiciona uma frase e vai passando para frente, montando uma história colaborativa.

Claro, não precisa ser algo lúdico e sem regras, como nessa brincadeira. Várias pessoas podem sugerir desdobramentos, ou votar em existentes, e contribuir com diversas formas narrativas diferentes da verbalização: análise, ilustrações, animações, música, efeitos sonoros etc.. Com a habilidade de votar e excluir os baderneiros do processo há possibilidade de um futuro com histórias multiforma, onde caminhos alternativos levam a desdobramentos diferentes, grupos de autores dão estéticas alternativas aos fatos ou visões pelo ponto de vista de personagens diferentes (como em Game of Thrones). Isso é só um começo para o que o meio digital tem a oferecer, já que uma história digital tem a capacidade de transformar e expandir continuamente.

Café Interativo: Quais são seus planos para o futuro?

bernardo@BogeyBox: Queremos ser referência em autoria digital para o meio móvel, para isso estamos investindo em três frentes: BogeyBox Studio, BogeyBox Business Premium e BogeyBox Fast Apps. BogeyBox Studio se concentra em criar e editorar peças de comunicação inovadoras, de cunho artístico. Para tal tipo de projeto, é necessário tempo e investimento, já que é um processo criativo e se desvia dos métodos e práticas de desenvolvimento comuns. A BogeyBox Business Premium oferece soluções móveis à empresas que desejam investir em presença mobile, incluindo um aplicativo de alta qualidade, uma solução personalizada com um caráter empresarial. A BogeyBox Fast Apps vem para atender clientes que precisam de agilidade e velocidade para lançar o aplicativo, sem muita burocracia ou reuniões de projeto e com um baixo orçamento. Nosso objetivo principal é trabalhar na BogeyBox Studio e ser autor de arte e inovação na narrativa digital, porém, é necessário experiência e recursos que são alavancados pela excelência no atendimento de outras fatias de mercado, lideradas pelas outras duas frentes. Queremos continuar empurrando a barra da experiência narrativa e experimentando nossas idéias para aplicativos de entretenimento. Contar histórias, criar universos, dar forma aos sonhos.

Referências citadas na entrevista:

Fadas – O Despertar do Caos
By BogeyBox
http://itunes.apple.com/us/app/fadas/id494620974?mt=8

Bartleby’s Book of Buttons Vol. 1: The Far Away Island :
By Monster Costume Inc.
http://itunes.apple.com/us/app/bartlebys-book-buttons-vol./id384841276?mt=8

Bartleby’s Book of Buttons Vol. 2: The Button at the Bottom of the Sea
By Monster Costume Inc.
http://itunes.apple.com/us/app/bartlebys-book-buttons-vol./id384841276?mt=8

Al Gore – Our Choice: A Plan to Solve the Climate Crisis
By Push Pop Press, Inc.
http://itunes.apple.com/us/app/al-gore-our-choice-plan-to/id432753658?mt=8

The Magic of Reality
By Random House
http://itunes.apple.com/us/app/the-magic-of-reality/id461771375?mt=8

Hamlet on the Holodeck: The Future of Narrative in Cyberspace
By Janet H. Murray
http://www.amazon.com/Hamlet-Holodeck-Future-Narrative-Cyberspace/dp/0262631873

Inventing the Medium
By Janet H. Murray’s
http://inventingthemedium.com/

Marvel: Avengers Alliance
By Playdom, Inc
https://apps.facebook.com/avengersalliance

Ultima (series)
By Origin Systems, Inc
http://en.wikipedia.org/wiki/Ultima_(series)

The Elder Scrolls
By Bethesda Game Studios
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Elder_Scrolls

Pure Bentley
By Bentley Motors Ltd
http://itunes.apple.com/us/app/pure-bentley/id432784441?mt=8

Swatch & Art
By SWATCH LTD
http://itunes.apple.com/us/app/swatch-art/id431906509?mt=8

Gear Patrol
By Gear Patrol
http://itunes.apple.com/us/app/gear-patrol/id445524182?mt=8

Entrevista: Jane Vita – “Gamification”

Jane Vita, obrigado por participar dessa entrevista para o café interativo. Gosto muito da forma como você trabalha e é um prazer poder contar com você  para este novo post, levantando assim, um pouco mais de debate sobre um tema muito comentado atualmente: “Gamification”. Obrigado.

Café Interativo: Jane como você conceituaria o “Gamification?

Jane Vita:  Eu definiria “Gamification” como o uso das técnicas de jogos em outras áreas, com o objetivo de engajar o usuário.

Café Interativo: Para você, o que o “Gamification” representa para o usuário final? E o que pode representar comercialmente?

Jane Vita: Para o usuário final é uma maneira de despertar, manter o interesse, ter reconhecimento e diversão. Comercialmente é uma forma de conseguir atratividade para alguns assuntos que não possuem grande escala de interesse, pode ser usada para o reconhecimento usuários mais ativos, fora muitas outras como incentivar o compartilhamento.

Café Interativo: Você acha que esse modelo tem se disseminado mais por conta da revolução mobile que estamos vivenciando? Você vê o “Gamification” mais presente ou apto para estas plataformas (smartphones e tablets)?

Jane Vita: Com certeza o crescimento do mercado mobile trás inúmeras possibilidades para a implementação de sistemas de gameficação, porém eu considero a causa dessa disseminação, o crescimento e a popularização causada pelos social games.

Café Interativo: Você acha que pode ser visto como uma ferramenta a mais para os designers de interação?

Jane Vita: Com certeza, não deve ser regra para estimular o engajamento, mas entre as metodologias usadas para o engajamento, com certeza pode ser estudada e se identificada como necessária, ser aplicada da maneira correta. Existem várias formas de se gameficar uma ação, que não somente o esquema de reputação e a coleta de badges, por exemplo. A Gamefication é uma das formas de atingir aquele último usuário da escala de interesse e precisa ser realmente adequada, pensada ao longo uso do produto ou em determinado espaço de tempo.

Café Interativo: Jane, quais cuidados que você recomenda ao utilizar o “Gamification”? E como identificar os projetos onde a sua aplicação pode otimizar os resultados obtidos?

Jane Vita: Deve-se ter muito cuidado ao usar as técnicas de Gamification, principalmente quando a ideia de gameficar parte da copia de algum outro modelo. Cada produto tem suas particularidades, sua identidade, sua linguagem, seus objetivos. Ao se espelhar em modelos prontos deve-se considerá-lo como uma forma de aplicação e criar sua própria estrutura de gameficação.

Jane Vita: Primeiramente, saber quais as necessidades que levam à aplicação desta metodologia, caso a solução realmente seja a gameficação deve-se estudar a melhor técnica a ser usada, exemplo: montar um ranking com usuários mais engajados, pontuação com bonificação, coleta de badges, reputação e abertura de itens surpresa, entre muitas outras.

Com certeza uma delas ou a combinação adequada de algumas dessas técnicas podem trazer bons resultados para o negócio. Pensar em gameficar não é só aplicar a técnica e pronto, deve-se acompanhar os resultados, receber os feedbacks dos usuários e implementar a ação por tempo indeterminado.

Ações que não fazem parte de uma campanha com começo e fim possuem grande risco e precisam ser monitoradas e constantemente adaptadas. É fácil você se surpreender com um usuário que consegue todos os objetivos numa semana.

Café Interativo: E para finalizar, será que você poderia nos dar alguns bons exemplos da utilização do “Gamification” em plataformas web e mobile?

Jane Vita: Existem inúmeras e boas aplicações, o que tornou possível esse “boom” e sucesso das técnicas da gameficação. Vou citar as três que mais gosto:

Empireavenue
É um jogo integrado com as mídias sociais (Facebook, twitter, youtube, flicker…), o usuário é bonificado através da sua interatividade social. Ele conecta várias das suas contas pessoais e conforme as usa vai acumulando pontos.

O objetivo do Empire Avenue é aumentar o valor das suas ações e outras pessoas investirem. Quase que uma bolsa de valores onde o capital é a sua reputação.

Foursquare
www.foursquare.com
Foursquare é um microblog e rede social que permite ao utilizador indicar onde se encontra, fazer o checkin, e procurar por contatos que estejam próximo desse local.
Pelo menos é esse o objetivo deles, mas o fato é que a funcionalidade mais usada é justamente o acumulo de badges que se ganha ao dar vários checkins e se tornar o maior frequentador de lugares específicos. Ser o major de um determinado lugar já se tornou uma febre. Tem gente dando checkin até em farmácia no meio da madrugada e em posto de saúde quando vai dar vacina ao filho.

Campanha da Idade Interior da Unimed
www.idadeinterior.com.br
A Unimed criou uma campanha de conscientização para os usuários de Internet mostrando a importância de manter a saúde. Com os dados obtidos é possível entender como está a população quanto à esta consciência e melhorar seus serviços. Dados realmente preciosos os quais estão de posse da Unimed e que ela pode usar como bem entender.

Como funciona: o usuário faz um teste para descobrir a sua idade interior, respondendo questões envolvendo os assuntos alimentação, saúde e estilo de vida. Depois de fazer o teste, ele recebe as informações ali no site mesmo e pode divulgar o resultado no Twitter, Facebook e Orkut, estimulando os seus amigos a participarem. Hoje (26/09/2011) entrei no site da campanhas e eles já estavam com 5012573 usuários. Inclusive já foram implementadas novas funcionalidades como conectar logo no início a sua conta do Facebook. Mostrando que realmente estão monitorando o produto.

Espero que eu tenha respondido adequadamente as suas perguntas e fico a disposição para quaisquer dúvidas. Obrigada.


Conhe mais o trabalho da Jane Vita:
www.janevita.com.br
@janevita

Entrevista: Vicente Tardin, Editor do Webinsider

 Vicente Tardin, obrigado por participar dessa entrevista para o café interativo. Antes de começarmos, gostaria de parabenizá-lo pela ótima iniciativa e pelo excelente trabalho que vem realizando através do Webinsider, portal que na minha opinião traz conteúdos de extrema qualidade e relavância.

Café Interativo – Vicente, como surgiu a ideia de criar o Webinsider? Quais os maiores desafios que você enfrentou até hoje?

O Webinsider, criado em 2000, na verdade nasceu em 1997, fruto de uma visão do que percebi que faltava na época.Bom, vou ter que contar a história. Quando surgiu a internet comercial no Brasil, em 1995, eu trabalhava na IDG, editora baseada nos Estados Unidos e que editava aqui publicações impressas de informática, com muito sucesso. No início de 1997 o chefe mais uma vez me chamou para iniciar um novo projeto.

Precisávamos montar o IDG Now, site de notícias para a nova área de internet. Eu deveria escrever diariamente, selecionando temas do material da IDG e os publicasse, até que fosse montada uma equipe completa em São Paulo.

Passei a produzir de 12 a 15 notícias diárias, sozinho, testando formatos e estilos. Achei que fiz bem o trabalho, anos antes de inventarem o webwriting… Foram três meses assim, ótimo e cansativo, mas uma experiência e tanto.

Quando chegou a hora de passar o bastão, pedi para conduzir um site recém-criado e vazio, chamado Webworld. Que bom que me deixaram editá-lo à vontade por três anos. O site era muito bom e fiz com que se tornasse atraente para agências e publicitários, de modo que a editora gostou porque passou a ser lida também por quem também tinha influência na veiculação de anúncios.

Fiz a escolha por este modelo porque percebi que a promessa de manter um site de notícias é muito difícil de ser cumprida. Notícias dão muita audiência mas pedem uma equipe grande também.

Já o Webworld poderia ser feito por mim, sozinho, com material de redação. Era mais profundo e analítico e também traduzia e adaptava textos dos Estados Unidos, da editora, de muita qualidade. Procurei escolher o que me interessava, pois ninguém sabia nada e os artigos reportagens muito ensinavam sobre internet para publicitários, empreendedores, designers, desenvolvedores. Convidei pessoas que conheci, como o Michel Lent e o Fernand Alphen, que estão com o Webinsider até hoje.

Em 2000 deixei a editora. Com o saída para os Estados Unidos do diretor, achei que deveria sair também e procurei a Zip.net, um portal forte que acabava de surgir, com a proposta de criar o Webinsider, seguindo o modelo do Webworld, que ficou para trás.

Até 2002 tudo foram flores – pude prosseguir trabalhando para o site de forma integral, tendo o jornalista Paulo Rêbelo também na produção de textos e outros autores convidados, sempre remunerados.

Com o estouro da bolha, a Zip.net, que fora adquirida pela Portugal Telecom por cerca de 360 milhões de dólares, passou a ser parte do UOL e sumiu, quando a empresa de Telecom também adquiriu uma parte do UOL.

Na prática A Zip fechou o Webinsider ficou totalmente sem receita. Prosseguimos assim mesmo. A F/Nazca emprestou o servidor, todos continuaram enviando artigos e tive que trabalhar em outros projetos para manter a renda, reduzindo o ritmo de publicação, uma pena.

Foi uma época muito difícil para todos que decidiram abraçar a internet profissionalmente.

Com o tempo fomos convidados para a Globo.com, que mais tarde mudou a política com sites de terceiros, até que finalmente mudamos para o UOL, onde estamos até hoje.

Como negócio, o Webinsider dá receita, mas é pequena. Se os planos derem certo, poderemos melhorar este quadro, sempre baseados em conteúdo com receita por publicidade.

Café Interativo – Qual a importância de uma boa usabilidade e de interfaces bem planejadas e desenvolvidas?

– É fundamental. O projeto deve entregar o que promete e de maneira simplificada e agradável. Se não o fizer, o público tende a procurar outro que o faça melhor.

Café Interativo – O Webinsider tem 11 anos de existência, sendo inaugurado em 2000. Como você vê o desenvolvimento das interfaces desse período até os dias de hoje?

– Pergunta embaraçosa, pois o Webinsider teve apenas duas “caras” até hoje e nunca mudou sua estrutura. Um caso atípico, movido por falta de recursos mas também por consistência no conteúdo.

Tivemos uma interface futurista retrô, digamos assim, criada em 2000 por Phillip Rodolfi, na época designer da Zip.net, a partir de meu briefing. Era impactante e abusava do amarelo. Ele me surpreendeu e aceitei. Os leitores adoravam e uma pequena parte não tanto. Fato é que era marcante e olhando de longe para a tela de uma pessoa era fácil reconhecer se estava no Webinsider.

Aguentamos assim até 2006! Sem mudar nada.

Em 2006, Henrique Costa Pereira, do Revolução Etc, refez tudo, com Flavio Kaminisse adaptando para o WordPress o PHP na unha que o Edelmar Ziegler, o Icaro, havia refeito do zero, reproduzindo o projeto feito em Pearl inicial do Webinsider.

Os leitores reclamaram desta vez porque o amarelo sumiu! Mas logo o apego foi esquecido diante das nítidas melhorias. Ganhamos sobriedade e ampliamos os espaços para anúncios. Eternamente grato à Webroom, que permitiu que os dois trabalhassem em colaboração dentro da agência, sem pedir nada em troca.

Agora teremos melhorias a qualquer momento, de novo com o Henrique, desta vez com Alessandro Angeruzzi. De lá para cá é preciso modernizar a interface, melhorar a busca, melhorar os espaços de anúncios, ter código mais leve e melhorias em SEO, versão para dispositivos móveis… São tantos itens necessários para quem possa estar constantemente avançando!

Café Interativo – Como você enxerga a relação entre Arquitetura da Informação e Design de Interfaces?

Quem vem primeiro, a arquitetura ou a interface? Creio que vêm juntos, às vezes um antes do outro, mas a partir da ideia básica, ou seja, os objetivos da comunicação.

Não sou designer e nem arquiteto da informação e particularmente neste campo considero muito difícil nos sites de muito conteúdo estabelecer uma boa arquitetura da informação quando há diversidade de assuntos.

As percepções variam muito. É importante o apoio de uma busca eficiente, recurso que muitas pessoas utilizam quando não encontram imediatamente o que desejam e nem sempre têm tempo para seguir as pistas.

Café Interativo – Nesses 11 anos, tivemos o surgimento de novas tecnologias, novos especialistas. Você acredita que o advento das plataformas móveis aumentou a importância das Interfaces?

As plataformas móveis abriram uma estrada nova, cada vez mais ampla. Se antes a luta era oferecer nossos sites certinhos em diferentes browsers, o desafio agora para todos é levar nosso ambiente online para as diferentes telas. Smartphones e tablets serão cada vez mais populares, e rápido.

Café Interativo – Qual sua opinião sobre os especialistas de usabilidade e interface que compõem o mercado brasileiro?

Diria que avançamos muito em direção à simplicidade e facilidade de uso, mesmo em serviços online do governo, por exemplo. Vivemos em uma área que avança muito rápido e procuramos melhorias o tempo todo, pois de outra forma não se atende o que deseja aquele que chamamos de usuário. Ou seja, todos nós, sempre prontos a migrar para o melhor serviço ou ambiente mais interessante.

Café Interativo – Vicente, para finalizar, o que podemos esperar do Webinsider em um futuro próximo?

O Webinsider precisa de reformas e elas estão bem encaminhadas, quase prontas, mas falta tempo aos dois criadores, que são excelentes e requsitados, por isso mesmo com pouco tempo a dar.

Olhando mais adiante, gostaria de ampliar a oferta de conteúdo em fontes de inspiração como filmes, livros e publicidade, em áreas a serem agregadas ao site.
Vicente Tardin –
É o  idealizador e editor do Webinsider.
http://www.webinsider.com.br
vtardin@webinsider.com.br
@webinsider